Queridos Jovens,
Na consulta feita na última postagem, a respeito dos temas que deveríamos discutir no Blogue, percebemos um grande interesse em abordar o tema EDUCAÇÃO. Por esse motivo, nossa primeira discussão versará sobre este tema. Relembramos que através dos comentários feitos por vocês, produziremos um material refletindo a opinião dos jovens da ACM Brasil sobre determinado assunto. Esse material será divulgado às ACMs do Brasil, do mundo e aos órgão da administração pública brasileira.
Segue um panorama da Educação no Brasil:
- Existem 57 milhões de estudantes matriculados no Brasil em todos os níveis de ensino;
- Em 2006, 97% das crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola;
- Em 2002, 10,9% da população brasileira era analfabeta;
- 25 mil escolas de ensino fundamental não possuem energia elétrica;
- 10 mil escolas de ensino fundamental não têm banheiro;
- De cada 100 alunos matriculados na 1ª série do ensino fundamental, 47 concluem a 8ª série, 14 terminam o ensino médio e apenas 11 conseguem entrar no ensino superior;
- O Brasil investe 842 dólares anuais por criança matriculada no ensino fundamental e somente 4,3% do PIB é destinado à educação, quando o ideal é que esse repasse fosse de 7% a 12%;
- 61% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental não conseguem identificar as principais idéias de um texto simples, e 60% dos alunos da 8ª série não sabem interpretar um texto dissertativo. Em matemática, 65% dos alunos da 4ª série não dominam as quatro operações, e 60% dos alunos da 8ª série não sabem porcentagem.
Frente a esses números alarmantes que ilustram a situação da educação em nosso país, gostaríamos que vocês manifestassem suas opiniões pautados em dois principais questionamentos:
- QUAIS SÃO AS CAUSAS DESSA SITUAÇÃO?
- O QUE NÓS JOVENS, ENQUANTO PROTAGONISTAS SOCIAIS, PODEMOS FAZER PARA MUDAS ESSA SITUAÇÃO?
Lembrem-se, uma nova postagem será publicada em 15 dias. Ajudem a divulgar nosso blogue. Vamos continuar construir um mundo melhor, por isso opinem, critiquem... CONSTRUAM...
Referências bibliográficas virtuais:
http://www.suapesquisa.com/educacaobrasil/
http://rudaricci.blogspot.com/2008/07/dados-sobre-educao-no-brasil.html
domingo, 12 de julho de 2009
JUVENTUDE E EDUCAÇÃO
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10 comentários:
Olá pessoal,
Particularmente vejo como uma das principais causas dessa situação, o desinteresse da sociedade brasileira em se tornar mais intelectualizada. Isso consequentemente gera um desinteresse do poder público e entramos nesse círculo vicioso.
Quanto a nós, jovens... Imagino que, embora o problema seja coletivo, nossa postura individual valorizando a educação fará diferença nesse processo.
Valorizar a língua portuguesa, evitando jargões como "tipo assim", "mano", entre outros, na minha opinião ilustram uma seriedade maior em relação a forma que encaramos nossa cultura. Além de naturalmente ter orgulho de ser um bom aluno.
Acho que devemos lutar contra essa inversão de valores, onde ovacionamos a eguinha pocotó, o créu, e nos censuramos em discutir assuntos como crise economica e o escandalo no senado.
Mais do que isso, devemos compartilhar essa opinião com os colegas, não devendo guarda-la somente para nós mesmos.
E vocês, o que acham?
abraços a todos..
Mohamad El Fakih
Olá meus amigos,
Tenho minhas dúvidas se alguns problemas mencionados pelo Mohamad são de certa forma protagonizadores da falta de educação no Brasil.
Acredito particularmente que o "tipo assim", "mano" e outros tipos de jargões são constituintes da cultura metropolitana e não por falta de cultura.Penso que essa não pode ser desvalorizada, e sim, implementada, ou seja, acrescentar valores a estas culturas, como na cultura do hip-hop.
Porem concordo em muito quanto ocorre a inversão de valores que ele cita.Acredito que a valorização de elementos, como o bandido, a mulher melancia, inverte valores, nos quais são desvalorizados aqueles que seriam a humildade, a bondade e tantos outros.
Contudo partimos do presuposto que a educação nunca vem sozinha; só estuda aquele que não precisa sustentar uma família; só estuda aquele que tem um ambiente que lhe proporciona isto; só estuda aquele que ve um futuro nisto.
Partindo então destes conceitos, entendo que o papel de nós, jovens, é de proporcionar as crianças e adultos, a cultura que é de todos para todos, ou seja, levar a crise economica e o escandalo do senado para estas pessoas, não da maneira com que ministros lidam com tais, e sim trazer tais assuntos para o cotidiano dele, de forma que o façam entender. E que o mano entenda pelo ambiente dele.
Para proporcionar tal feito, devemos criar situações que incitam isto para todos; que obrigue o governo a fazer eventos diversos; cobrar dos políticos que elegemos tais possicionamentos; assim como tentarmos proporcionar a sociabilização de diferentes culturas e pessoas.Isso sim pra mim é educação.
Aberto a "cornetagem"...rs..(eu não ia aguentar ficar sem meus termos comuns..)
Um grande abraço, de quem espera muito em breve participar mais efetivamente ai do lado de vcs, e quem sabe na luta da educação/cultura para todos.
Gibran Ferreira
Olá amigos e amigas...encontrei um texto muito interessante
Hannah Arendt foi uma pensadora do século XX cuja obra trata sobretudo de filosofia política. Em importante livro seu, Entre o passado e o futuro, a autora reflete sobre a educação em um capítulo intitulado “A crise na educação”. Mas de qual crise se trata?
Credito aos educadores cabe uma dupla responsabilidade: pelas crianças e pelo mundo. Responsabilidade pelas crianças na medida em que se não forem introduzidas em um mundo, com uma tradição, com valores, regras, padrões de comportamento, elas estarão jogadas à própria sorte, exiladas na própria pátria (desoladas, sem solo). Já a responsabilidade pelo mundo se dá porque ele precisa ter continuidade, precisa ser preservado, após a mortalidade individual de cada um de nós.
A crise na educação, dessa forma, tem origem em causas gerais que transcendem os limites da educação. Não se trata de uma crise particular de um país ou outro, com causas igualmente particulares. Em termos precisos, as causas de uma crise na educação se encontram na crise do mundo moderno.
Quando os indivíduos de uma sociedade são massificados, quando a singularidade de cada um expressa pelos seus atos e feitos públicos é não mais forma de excelência de existência humana, dá-se a bancarrota da esfera pública e a glorificação da esfera privada. Indivíduos que somente se ocupam com questões particulares são seres que ao modo de animais apenas cuidam de suas necessidades de sobrevivência.
A educação, cuja essência é “a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo”, fracassa quando é desenvolvida na ausência de uma esfera pública à qual a criança deveria ser gradativamente introduzida. Quando outrora dissemos que a educação tem o propósito de introduzir a criança em um mundo pré-existente, estávamos tacitamente dizendo que a educação deve preparar a criança para abandonar a esfera privada, a esfera familiar, e adentrar a esfera pública, onde o mundo humano é construído e preservado.
Isso não significa que não haja saída, que a educação não pode mais cumprir sua função de introduzir os novos no mundo. Ao contrário, a educação se torna tanto mais fundamental na sociedade e tarefa igualmente mais árdua para pais e professores.
Afinal, a despeito de inexistir uma esfera pública que anuncie a responsabilidade deles com o mundo e a criança, que deverá preservá-lo amanhã, ainda assim pais e professores devem assumir a responsabilidade se entenderem que “a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens”.
Na minha opinião pessoal, nós como protagonistas temos de entender que uma parte da crise na educação é estabelecida pelos problemas gerados por métodos classificatórios de avaliação, currículos fechados e falta de recursos, materiais, criatividade, motivação — tanto de professores como de alunos —, respeito e valorização das diversas idéias e opiniões. Nós, líderes, temos de criar, pesquisar, refletir e agir para mudar essa realidade que envolve nossa educação alternativa (não formal).
Na atual estrutura socioeducativa em que está inserida a educação, passamos por uma forte crise de identidade e paradigmas, na qual falamos muito sobre o assunto, mas pouco colocamos em prática. A transformação educacional está descrita nos livros, revistas, na mídia em geral, e tudo é lindo e maravilhoso, mas as ações, as aplicações e as transformações não saem do papel, da criatividade e da oralidade e, quando ocorrem, em número muito reduzido, somente alguns educadores têm condições específicas para colocá-las em prática e conseguem fazer isso.
A transformação significativa depende da criatividade individual e coletiva, da organização e do planejamento das idéias e das condições estruturais e globais, que devem ser estimuladas pelo meio em que vivemos e pela associação desses fatores à reflexão, análise, pesquisa, interpretação, contextualização e avaliação das ações.
A avaliação escolar hoje está associada à contagem numérica e classificatória, como se o aluno fosse uma simples quantidade que necessitasse ser contada e classificada e a aprendizagem não existisse; mas, ao contrário, todos existimos e somos avaliados a cada momento, e é dessa forma que nos como educadores deveriamos pensar.
Os processos avaliativos nada mais são do que as ações praticadas pelos alunos por meio da assimilação, interpretação, aplicação e reelaboração das atividades ou projetos para solucionar problemas existentes na atual realidade. A ACM e sua Juventude devem exercitar e praticar as atividades que desenvolvam as habilidades intergeracionais (de diversas idades) respeitando e potencializando a individualidade e sua positividade no coletivo.
Como Protagonistas, agir em comunhão para agregar ao porceesso de INSERIR o ser humano nesse novo Mundo, plural e singular, estranho e curioso.
Colocar nossos projetos e criatividade em prática com nossa comunidade, com nossos associados, com nossas familias
Aruã Macedo
Confesso que nunca fiquei tão feliz em ler comentários nesse Blog.
Gibran, concordo com absolutamente tudo o que colocou, minha colocação anterior tinha o objetivo de gerar polêmica e acredito que isso tenha ocorrido, mas faço das suas palavras as minhas.
Aruã, excelentes colocações e texto!
E você, o que acha??
forte abraço
Mohamad El Fakih
Caros amigos...
É dificil tratar de um assunto de tamanha magnitude, porém, infelizmente, é maior ainda o desinteresse da sociedade em lidar com este problema que está na ponta do nariz de cada um de nós!
Com todos os textos vistos aki, pessoais, filosóficos entre outros, acho que atitudes radicais poderiam gerar a transformação necessária...vou citar alguns fatos e não apológicos (pelo amor de Deus...to fora dessa!)mas vamos lá:
* A tempos atrás vivemo uma ditadura, que reprimiu muitos ideais (de alguns) mas tinha uma funcionalidade se fosse tratada de forma mais flexível...por exemplo, nossos pais foram alunos desta época, alguns no ensino fundamental e colegial, base da educação e hoje são pessoas que mostram qualidades que nos atuais estudantes não possuimos...e se tinhamos revolucionários no ensino superior é pq tinhamos a base da educação capaz de nos fazer refletir e buscar coisa melhor!!! reclamamos que não temos oportunidades de mudança...porém cade as atitudes nossa? somos esclarecidos e por isso temos este canal para discutirmos...porém cadê o restante da população? Esta educação que faz da massa burra ser mão de obra e nada mais...e da-lhe bolsas-familia e fazer filho pq isso resolver meus problemas financeiros...pra responder a verdade, nós somos mesmo uns ACOMODADOS, que partilham de problemas e não de soluções!!! Falta preparo e instrução para a camada inferior da população e um caminho que pode ajudar (TV) prefere continuar a denunciar, encubrir e nada a fazer sobre escândalos...imagine cuidar da educação, vou é preparar meu filho pra ser jogador de Futebol e vou começar a virar um líder comunitário, não para interesses comuns, mas próprios e ganha muito dinheiro para sustentar todos em minha volta...poisé...infelizmente dá até vergonha dessas coisas, mas é nossa realidade! Tem mais que fazer como antigamente ou mais remoto como na Venezuela...sair na rua para colocar o Chaves e viver uma glória, porém agora pra tirar ele...nem o Seu Madruga nem ninguém...
Abs! Fernando Guarulhos
Olá,
li todos os comentários e concordo com os problemas que geram essa situação alarmante da educação em nosso país.
Como professora,me cabe demonstrar aqui a visão de um dos principais personagens dessa "novela"-O PROFESSOR.
Alguem sabe por que o aluno vai a escola?
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais(PCN´s)o aluno é encaminhado a escola para se tornar um cidadão participativo,reflexivo e autônomo, consciente do seu papel em nossa sociedade.Dentro dos objetivos gerais de ensino muito se fala sobre ser um agente tranformador do ambiente e dos grupos sociais;desenvolver sua capacidade afetiva,física,cognitiva e ética e saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para construir conhecimentos.Mas tudo isso não tem como ser desenvolvido sem a participação eficaz do professor.
O que observei ao sair da universidade(UFRJ) com mais 79 professores foi que nem 50% deles sabem o que precisamos realemnte desenvolver no aluno dentro da escola.Alguns desses vão atuar logo logo e não estarão preparados para ensinar aquilo que o estudante precisa.
Os outros 50% que estudaram o suficiente e estão aptos a exercerem sua profissão se deparam com concursos públicos Estaduais que pagam um salário de R$634,00 mensais(isso mesmo,você disputa com muuuiiiiitos outros profissionais por essa remuneração...)onde normalmente você enfrentará alunos armados,bandidos e terá que se deslocar para o meio de favelas ou comunidades perigosas(realidade do RJ).Muitos desses professores bons não vão querer passar por essa situação, com remuneração tão baixa.
Os que passam no concurso e vão exercer assumindo turmas, percebem a falta de estrutura física e da própria administração; então, todos os sonhos e planejamentos feitos para quando comessasse a dar aulas em escolas vão embora...O professor passa a se acomodar com o sistema que a instituição vem conduzindo durante os anos.As faltas começam a ser frequentes e não procuram se reciclar.Até porque, devido ao baixo salário precisa trabalhar em outros locais,ficando sem tempo para estudar.
Com tudo isso,ele se torna um professor como muitos outros que encontramos no ensino público:
-desmotivado
-acomodado
-faltoso
-Que não atrai nem ensina o necessário para que os alunos aprendam.
Como a educação hoje no Brasil é totalmente voltada para a instituição de ensino e não mais dividida entre família e escola,como antigamente,os maiores prejudicados com toda essa falta de estrutura são os alunos que entram na escola para se tornarem cidadãos conscientes e saem sem o conhecimento necessário para assumirem um papel digno na sociedade.
Essa é a minha visão de um dos motivos que leva a educação do país a estar tão ruim.Sobre nossa atuação enquanto líderes pensarei e escreverei aqui futuramente.
Nathalia Gaspar
ACM RJ SEDE
Nathalia querida,
Concordo plenamente com suas colocações. Tenho contato muito próximo com professores de rede pública, e a situação é exatamente essa.
Diante da falta de estrutura e apoio, o profissional se desmotiva e isso se torna um circulo vicioso péssimo.
abraços gente
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